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Alexandre Cherman

A origem do 1º de abril

Em 2006, Fernando Vieira e eu escrevemos um livro intitulado “O Tempo que o Tempo Tem”, que conta a história do calendário. Sem estragar a surpresa para possíveis leitores, o livro termina com um curto texto que se encaixa perfeitamente na categoria “Curiosidade do Mês de Abril”. Aproveitem…

Apesar de o início do ano civil ter sido transferido, já na Roma Antiga, para o dia 1º de janeiro, o começo do ano litúrgico da Igreja católica permaneceu em 25 de março, próximo ao equinócio de primavera do hemisfério Norte. Os estudiosos, tanto das religiões como dos calendários, chamam isso de “estilo da Anunciação”, pois nessa data a Virgem Maria teria recebido a visita do anjo Gabriel anunciando que ela seria a mãe do filho de Deus.

Outros estilos menos usados para o início do ano em diferentes partes da Europa foram o “estilo da Páscoa”, no qual o ano começava sempre no domingo de Páscoa (que, como sabemos, é uma data móvel do nosso calendário solar e, portanto, trazia um complicador desnecessário à população), e o “estilo da Natividade”, em que o ano começava no Natal.

A reforma gregoriana de 1582 oficializou o início do ano eclesiástico em 1º de janeiro, concordando com o ano civil, no que é conhecido como “estilo da Circuncisão”, pois segundo as tradições judaicas, um bebê do sexo masculino deveria ser circuncidado uma semana depois de seu nascimento. Nunca é demais lembrar que Jesus era judeu…

Antes do papa Gregório XIII, em 1564, o rei Carlos IX, da França, decretou que seus súditos deveriam respeitar o início do ano juliano como prescrito por Júlio César, em 1º de janeiro. Os católicos protestaram, uma vez que o calendário eclesiástico ainda se iniciava em 25 de março. Para marcar sua posição, passaram a celebrar de maneira ostensiva a chegada do Ano-Novo. As comemorações duravam uma semana, fazendo com que o primeiro dia útil do ano fosse, de fato, o dia 1º de abril.

Os súditos mais fiéis do rei francês, que passaram a celebrar o Ano-Novo em 1º de janeiro, hostilizavam os católicos que insistiam em usar o “estilo da Anunciação”. Com o passar do tempo, as hostilidades deram origem a brincadeiras e “pegadinhas”. Logo depois, o calendário gregoriano foi concebido e todos passaram a adotar o dia 1º de janeiro como o primeiro do ano.

Mas a tradição das pegadinhas já havia se formado e acabou sendo exportada para o resto do mundo. Desde então, o dia 1º de abril é conhecido como o “dia da mentira”.

E isso é a mais pura verdade! ■

 

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