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Alexandre Cherman

Calendário Romulano

O que eu mais gosto no título deste texto é como ele, propositalmente, engana o leitor (presumindo que haja um leitor, é claro) a pensar em Jornada nas Estrelas, certamente algo querido para o típico membro da Sociedade Planetária.

Não. Não estou falando de Romulanos, os alienígenas fictícios criados por Paul Schneider (obrigado, Wikipédia!) para o programa de televisão da década de 1960. Certamente eles tinham um calendário próprio cotando o tempo em seu império galáctico, mas não só eu não sei nada sobre isso, como também eu prefiro ficar em território real e falar sobre o nosso calendário, eventualmente falando sobre outros calendários igualmente reais.

(Pelo menos em nossos encontros semanais de sábado…)

Romulano aqui se refere a Rômulo, irmão de Remo, mitológicos fundadores de Roma. Todos já ouvimos a lenda, de um jeito ou de outro, sobre os dois irmãos gêmeos abandonados após o nascimento, resgatados por uma loba, criados por um pastor para se tornarem grandes líderes na reconquista do reino de Alba Longa, comandado pelo tio-avô de ambos, Amúlio, que havia assassinado o próprio irmão (Númitor, avô de Rômulo e Remo) e obrigado a sobrinha (Reia Silvia, mãe dos meninos) a se tornar uma virgem vestal.

Rômulo e Remo, após a fama, decidiram fundar sua própria cidade. Ao discordarem sobre o local exato da fundação, brigaram e Rômulo matou Remo. (Por causa de geografia? Sério?!?)

A nova cidade foi criada à base do Monte Palatino: Roma. E Rômulo tomou todo o cuidado de criar esta nova cidade a partir do zero. Ele cria uma nova moeda e dedica sua cidade ao deus do Oimpo Asileu, deixando claro a todos que qualquer um é bem-vindo em sua cidade. Asileu é a origem de “asilo”, em português; ele era o “Deus da acolhida”. Isso foi bem inteligente por parte de Rômulo, e fez com que Roma crescesse rapidamente.

Outra coisa que Rômulo criou foi um calendário. E aqui foi onde ele abusou da criatividade (embora não tenha sido particularmente feliz).

Rômulo quebrou a tradição do número doze. Fosse lunar, lunissolar ou solar, os calendários daquela época costumavam ter um ciclo de doze partes (os nossos meses modernos), um reconhecimento à matemática aproximada das doze luas cheias dentro de um dado ciclo solar. Rômulo não trabalhou com isso. Ele criou um ciclo dividido em dez partes.

A primeira parte foi batizada em homenagem ao seu suposto pai, o deus do Olimpo Marte (Ares, para os gregos). Chamou-a de Martius (nosso mês de março). Os próximos três meses foram batizados em homenagem à Natureza: Aprilis, Maius e Iunius. E depois, aparentemente, ele perdeu a paciência e passou a enumerar os meses: Quintilis, Sextilis, Septembre, Octobre, Novembre and Decembre. Dez meses e somente dez meses.

Quando acabava o último mês, o calendário romulano possuía um período que simplesmente não era contado: o Inverno. Durava cerca de 60 dias e somente ao seu fim um novo ano começava, novamente em Martius! Muito estranho para nós: o ano acabava e o ano novo não começava!

Mas como podemos ver pelos nomes dos meses, essa é, sem dúvida, a origem do nosso calendário atual. ■

 

O calendário nacional indiano
Calendário Pompiliano