Blog
Selenotopografia

Vaz Tolentino

Nomes que definem as diferentes formações na superfície lunar

O sistema atual de nomenclatura lunar utilizado pelos selenógrafos descende dos trabalhos realizados pelo astrônomo e padre Jesuíta Giovanni Battista Riccioli (1598 – 1671), que em 1651, definiu nomes para as formações contempladas num mapa lunar desenhado por seu aluno Francesco Maria Grimaldi. O astrônomo Riccioli definiu nomes em latim para os mares de lava lunares (maria), refletindo a ideia de que a Lua influenciava o clima da Terra.

Com isso, existem os mares Nubim (nuvens), Imbrium (chuvas), Frigoris (frio) e Humorum (umidade). Outros receberam nomes derivados do estado da mente, como Serenitatis (serenidade) e Tranquillitatis (tranquilidade), e outros foram nominados sem aparente área de derivação, como Nectaris (néctar) e Crisium (crises).

Riccioli nominou também, crateras em homenagem a famosos cientistas e astrônomos da história, colocando os nomes dos antigos gregos no hemisfério norte e dos cientistas mais recentes do seu tempo no hemisfério sul. Ele também colocou o seu nome e o de Grimaldi em duas grandes crateras próximas ao limbo oeste lunar.


As duas enormes crateras próximas ao limbo oeste lunar, nominadas por RICCIOLI com seu nome e o de GRIMALDI. Foto executada por Ricardo José Vaz Tolentino em 10 de novembro de 2011 às 00:07:54.

A cratera RICCIOLI tem 146 Km de diâmetro e 2,3 Km de profundidade (LAT: 3° 00′ 00” S, LON: 74° 18′ 00”W) e GRIMALDI tem 230 Km de diâmetro, 2,7 Km de profundidade e piso inundado por lava escura, de aspecto liso (LAT: 05° 12′ 00” S, LON: 68° 36′ 00” W). Desde o tempo de Riccioli, que nominou várias formações lunares, muitos outros nomes foram definidos para outras formações presentes na Lua. Atualmente existem aproximadamente 1240 formações nominadas na face visível da Lua e outras 690 na face oculta.

A IAU, (International Astronomical Union), com sede na França, vem determinando nomes de pessoas para identificar as formações lunares por mais de 80 anos. Atualmente a exigência básica para tornar-se candidato a nominar uma formação lunar é ser um destacado cientista que tenha falecido há pelo menos 3 anos. Já as cordilheiras lunares, são designadas com os nomes das cordilheiras existentes na Terra.

Também é importante destacar que, apesar da ciência lunar ter evoluído muito ultimamente e de existirem belas imagens de alta resolução capturadas por modernas sondas espaciais (LRO, SELENE, etc), muitas das análises que são executadas sobre essas imagens da atualidade não são novas. Muitas são, na verdade, descrições e explicações feitas por pesquisadores do passado, que nas décadas e séculos anteriores estudaram detalhadamente nosso satélite natural através de telescópios e registram suas observações e análises em antigos livros clássicos.

Palavras em Latim que definem as formações

Palavras em latim foram atribuídas desde o Séc. XVII para definir os diversos tipos de formações presentes na superfície lunar e essa nomenclatura clássica permanece viva até hoje. As palavras são as seguintes:

Catena: cadeia de crateras;
Dorsum (plural: Dorsa): crista ou espinhaço sinuoso presente na superfície dos mares de lava;
Lacus: lago;
Mare (plural maria): mar de lava basáltica endurecida, de tonalidade escura;
Mons: montanha;
Montes: cordilheira;
Oceanus: oceano de lava endurecida de tonalidade escura.
Palus: pântano;
Promontorium: cabo;
Rima (plural: Rimae): canal;
Rupes: escarpa;
Sinus: baia;
Vallis: vale

No próximo artigo mostraremos alguns exemplos e fotos de cada tipo de formação lunar descrita acima. Até lá! ■

 

Nossa LUA
Tipos de formações presentes na superfície lunar (1ª parte)