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Selenotopografia

Vaz Tolentino

Nossa LUA

Selenografia é a parte da astronomia que estuda a Lua, especialmente os seus aspectos físicos. A palavra é derivada de Selene, deusa da Lua na mitologia grega. Na mitologia romana a Lua é chamada de Luna (de onde derivam as palavras lunar e lunação). Na mitologia dos índios brasileiros Tupi, a Lua é chamada de Jaci. O selenógrafo faz o estudo científico das características físicas da Lua. Ele executa observações através de telescópios, fotografa, mapeia o relevo lunar e descreve com precisão as diversas formações existentes em sua superfície.

A Lua sempre inspirou o ser humano a olhar para o céu. Desde os tempos pré-históricos, todas as culturas ao redor do mundo contemplaram a Lua e constantemente se perguntavam sobre sua origem, como foi parar no céu e como ela mudava de aparência, desaparecia e reaparecia.

O ciclo de fases lunar tem influência direta nas marés oceânicas da Terra e também foi usado por antigos estudiosos para compilar os primeiros calendários. A proeminência da Lua no céu noturno teve reflexo importante na arte e cultura dos povos da Terra desde a antiguidade, sendo referenciada por mitos e lendas.

Os Sumérios que viviam há 4.500 anos achavam que as almas dos mortos iam para a Lua e desciam ao inferno durante a fase de Lua nova, para o julgamento final. Culturas posteriores, como as antigas Grega e Romana, adoravam a Lua como a deusa da fertilidade, do nascimento e protetora dos animais. Superstições medievais alegavam que a “luz da Lua” causava loucura. Ainda hoje, certas pessoas costumam culpar a Lua cheia por causa de comportamentos anormais, sem falar nos lobisomens.

Porém, a importância do estudo da Lua, está no fato de que o nosso satélite natural nos ajuda a entender e conhecer mais sobre a origem e a evolução da Terra e dos demais planetas do Sistema Solar. A maior parte do nosso conhecimento científico profundo sobre a Lua evoluiu a partir das amostras cuidadosamente coletadas na superfície lunar pelos astronautas das missões Apollo da NASA, de 1969 a 1972.

Estudos e experimentos executados nessas amostras revelaram detalhes sobre o nascimento, evolução e idade da Lua, além de sua composição química e características de seus processos geológicos. Consequentemente, todos esses estudos e experimentos também proporcionaram um melhor entendimento da evolução do Sistema Solar.

Um dos principais valores científicos produzidos pela exploração da Lua abrange o entendimento de que apenas os impactos que geraram as crateras e o vulcanismo são processos geológicos universais. As imagens provenientes das explorações feitas por sondas espaciais robóticas tendo como alvo os planetas com suas respectivas luas, os cometas e asteroides, apenas tornam-se compreensíveis por causa do que nós já aprendemos com a Lua.

Além disso, a aferição precisa dos movimentos da Lua é igualmente importante, dada a sua influência dinâmica sobre a Terra. O cálculo retroativo das configurações lunares, como eclipses e fases, pode ser útil aos historiadores na tarefa de situar cronologicamente alguns eventos históricos da humanidade, dando respaldo científico na determinação das datas desses eventos.

A Lua é o quinto maior satélite do Sistema Solar. Porém, quando comparada ao planeta que orbita, nenhum dos sete planetas possui um satélite natural tão grande como a Lua. Quando o assunto é observação astronômica, perante nosso ponto de vista aqui da Terra, a Lua é mesmo um “gigante cósmico”.

Não é de se espantar que, muitos astrônomos profissionais e amadores, escolheram a Lua para ser o objeto de estudo de suas vidas. As vantagens em observar a Lua em relação aos demais objetos do espaço são as seguintes:

  • A Lua é o astro mais destacado do céu noturno;
  • Ela é a visão telescópica mais rica em detalhes (diversos alvos num só);
  • Ela é facilmente observável com nitidez, mesmo nos grandes e poluídos centros urbanos.
  • Ela muda constantemente o aspecto visual de suas formações, devido aos seus movimentos que causam mudanças de luz e sombras, criando sempre novidades observacionais;
  • Dependendo do aumento aplicado ao telescópio, podemos obter uma visão de campo amplo abrangendo várias formações, ou uma visão específica, enfocando determinada formação em particular.
  • A Lua é um alvo enorme quando comparada, a partir do nosso ponto de vista, com outros corpos celestes como, por exemplo, os planetas.


Composição intitulada “Lua – o gigante cósmico”. Clique na imagem para ampliar.

A imagem acima mostra a comparação dos tamanhos de JÚPITER, SATURNO, MARTE e da cratera lunar COPERNICUS, quando fotografados pelo mesmo conjunto telescópio/câmera. É importante notar que Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, quando observado da Terra, tem aproximadamente o mesmo diâmetro angular da cratera COPERNICUS, que possui 96 km de diâmetro. Por isso, nosso satélite natural é um enorme território extraterrestre a ser explorado, mantendo muitas surpresas para serem descobertas. Fotos executadas por Vaz Tolentino nas seguintes datas: Lua cheia – 09/março/2012, ‏‎00:50:10; cratera COPERNICUS – 10/julho/2011, 21:54:30; JÚPITER – 10/novembro/2011, 00:44:25; SATURNO – 15/fevereiro/2011, 04:03:48; MARTE – 26/fevereiro/2012, 23:53:10.


Muitas formações numa única imagem. A Lua é a visão telescópica mais rica em detalhes (diversos alvos num só). Foto executada em 11/abril‎/2012, ‏‎02:55:18, por Vaz Tolentino. Clique na imagem para ampliar.

Apesar de que décadas já se passaram desde que o último astronauta pisou na Lua (Eugene Cernan – Missão Apollo 17 – NASA, em 1972), a exploração lunar continua acontecendo através de modernas sondas espaciais robóticas. Isso porque, nosso vizinho celestial mais próximo ainda é uma grande fonte para descobertas. Muitos mistérios se escondem em seu interior e nas interessantes formações presentes em sua marcada e marcante superfície. ■

 

Nomes que definem as diferentes formações na superfície lunar