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Alexandre Cherman

Tenha uma boa semana

Futebol toda quarta à noite. Feijoada aos sábados. Missa de domingo. Toda vez que vejo uma expressão como essas eu tenho vontade de gritar: “Ei! Será que vocês não sabem que a semana é uma mentira? Um erro? Por que vocês usariam isso para organizar o tempo?”

Existem quatro períodos de tempo facilmente reconhecíveis em nosso calendário usual: dia, semana, mês e ano. Todos eles têm origem na Astronomia. O dia está relacionado à rotação da Terra. O mês, ao ciclo lunar. O ano, à revolução que a Terra realiza ao redor do Sol. Mas e quanto à semana?

A semana nasceu de um erro. Sua origem vem de um tempo em que a humanidade acreditava que existiam sete “planetas” no céu. E as aspas aqui são importantes, porque alguns desses “planetas” não são planetas segundo a definição atual.

Planeta é uma palavra grega que quer dizer “estrela errante”. Para os astrônomos antigos, as sete “estrelas errantes” eram: o Sol, a Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Através de lendas e superstições, surgiu a ideia de se dedicar um dia a cada um destes objetos. E assim nasceu a semana, um período de sete dias onde cada dia estava relacionado a um dos planetas.

Em algumas línguas, a correlação é óbvia. Sunday, domingo em inglês, é o Dia do Sol (Day of the Sun). Monday, segunda-feira em inglês, é o Dia da Lua (Day of the Moon). Isso funciona bem também em francês, espanhol, alemão… Infelizmente, em português, usamos um sistema hebdomadário, que enumera os dias e faz desaparecer essa relação.

Sábado, Saturday em inglês, é o Dia de Saturno (Day of Saturn). Saturno é o equivalente romano de Cronos, Deus do Tempo. Me parece adequado dedicarmos o sábado para falar sobre o tempo. Ou escrever… E de hoje em diante, a cada sábado, você pode esperar um novo texto sobre o assunto, aqui mesmo nesse blog.

Sim. A cada semana! Eu já até posso me ouvir gritando: “Ei! Você não sabe que a semana é uma mentira?” Eu sei. Juro que sei. Até a próxima semana! ■

 

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